AVER-O-MAR


Inicialmente a encomenda resumiu-se à elaboração do loteamento. A arquitectura da construção viria depois. Os projectos foram gizados separadamente. O terreno era bastante singular, em forma de ‘bacalhau’, confrontava na sua maior dimensão com a rua situada a Poente e diminuía a sua largura de Norte para Sul com uma ligeira torção. A formatação do terreno e os seus limites contribuíram para o surgimento de algo novo naquela área: a edificação totalmente adaptada ao terreno e o cuidado arquitectónico incutido a toda a intervenção.
Assim, o loteamento obedeceu às regras do plano vigente no local e adoptou algumas inovações na definição dos seus parâmetros urbanísticos, que permitiram a posterior concepção das oito habitações de modo peculiar. O loteamento insere-se numa zona de transição entre a área de construção caótica de Aver-O-Mar, composta por edifícios multifamiliares de quatro ou mais pisos, localizada a Poente do arruamento e perto da praia, e a Nascente a área de moradias unifamiliares, com uma arquitectura incaracterística, em consolidação do seu tecido urbano e onde ainda proliferam extensos campos agrícolas. O plano municipal em vigor estabelecia três pisos para o local e habitação unifamiliar e pretendia romper um novo arruamento no sentido Poente/Nascente. Estes foram os pontos-chave a ter em consideração nas opções do loteamento, conjuntamente com a singularidade da formatação do terreno. Surge, pois, o conjunto arquitectónico onde a diversidade tipológica, alcançada nos projectos de arquitectura das oito habitações unifamiliares, encontra aqui lugar e se alia à unidade morfológica que atribui o forte carácter à intervenção.

FICHA TÉCNICA